5 de Setembro de 2009

Semana agitada

Esta tem sido uma semana rica em acontecimentos!
Durante esta semana, estava eu a trabalhar na Amadora e vi um grupo de jovens em campanha pelo PSD. O primeiro pensamento foi dar-lhes uns caldos para ganharem juízo, mas depois lembrei-me da tal de democracia. Deixei-os ficar.
Mas que jovens são estes?
Como é que querem eleger alguém que diz que devemos dar pausa à democracia para colocar o país em ordem?


Como é que querem eleger alguém que vendeu e quer continuar a vender o país aos privados a preços de saldos?
Como é que querem eleger alguém que quer privatizar todo o sistema de saúde e segurança social?
Os EUA, onde os planos de saúde são privados até agora, já ponderam colocar essa responsabilidade a cargo do Estado para evitar milhares que não podem ou não conseguem ter planos de saúde privados.
Segundo a senhora Ferreira Leite, a politica não é produzir riqueza, é vender os anéis!
Se a EDP ou a GALP produzem receitas para o estado, o que traduzindo indica ou mais obras publicas ou diminuição de carga fiscal para o povinho, que sentido faz vender?
Porque não vendem então a TAP que é só prejuízo?
É uma vergonha ter este partido como um dos reais candidatos ao poder.
O caso da semana é terem corrido com a Manuela Moura Guedes da TVi. Que espécie de polémica é esta?
Durante muito tempo se falou em correr com a mulher de lá e é sabido que não saiu antes porque tinha o marido à frente dos destinos da estação. Não faz muito sentido andar em busca de algo errado só para dizer que são os partidos a mexer os cordelinhos.
Imagina que és dono de um canal televisivo. Tens uma pivot que procura protagonismo em conflitos no telejornal. Se o teu objectivo é ter um noticiário serio e responsável, então tens um funcionário que está a fazer noticia espectáculo. Sendo coerente, não podemos ter um funcionário destes a dar a cara pela empresa.
Tendo o Moniz saído recentemente, é natural que fosse agora, e depois da peça a anunciar o regresso do jornal na noite de sexta-feira que tomassem a medida. Faz-me lembrar um colega da empresa, numa altura de despedimentos que lhe disseram “ vai de férias, que assim não se lembram de te mandar embora…”.
Mas ela voltou, e logo a provocar todo o sistema!
E vamos lá a ver, a Manuela Moura Guedes era deputada da oposição! O que ela faz é política no lugar de fazer jornalismo serio e responsável. Não é da responsabilidade da TVi ou de qualquer canal o meio de comunicação apontar dedos acusadores. Eles existem para dar a notícia. Mesmo que seja feita investigação jornalística, há que passar a informação e fim de história. A Manuela Moura Guedes tudo o que era noticia, boato ou carta anónima, desde que fosse para fazer espectáculo, dizia-o como quem encontra o lobo em pele de cordeiro. Quer se goste ou não, até o Marinho Pinto a acusou em directo que era pessoa a dar má fama ao jornalismo.


Alias, todos sem excepção dizem que pode haver ingerência administrativa ressalvando sempre a qualidade da jornalista. Ou seja, a jornalista de facto é má, mas se calhar a empresa não escolheu o melhor método de a por a andar!
Já em período de descontos, e para terminar, o debate do Jerónimo de Sousa e do Francisco Louçã … que foi aquilo?
A ideia era haver um confronto para o povo escolher entre um e outro e afinal foi uma amena cavaqueira sobre o que está mal no país. Enfim, tempo de antena perdido!

Etiquetas: eleições, francisco louçã, freeport, jeronimo de sousa, maneuela ferreira leite, manuela moura guedes, ps, psd

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7 de Agosto de 2009

A saúde em Portugal

Hoje foi o meu último dia de férias. Oficialmente não é, mas vou substituir um colega que teve de se ausentar por motivos de força maior. Tudo bem, este ano vale quase tudo uma vez que nada é nem será como é(ra).
Acabei hoje por ir à praia e não fiz nada em casa do que queria fazer nas férias. Enfim…
Vinha da praia e como já eram 20 horas decidi ouvir as notícias. Como referencia as duas sobre a saúde.
A primeira tinha que ver com os oito indivíduos que ficaram cegos no hospital de Stª Maria. Segundo os intervenientes ninguém foi culpado.
Vamos fazer um exercício para ver como as coisas se podem passar:
Vai ser executada uma intervenção cirúrgica e requisita-se um conjunto de medicamentos a usar nessa intervenção. O farmacêutico conhece-os e entrega-os a quem de direito. A sala de operações está preparada para receber o paciente e entram todos para a sala.
Na televisão no outro dia apareceu um médico que é ele que tem os medicamentos guardados, é ele que tem a chave, é ele que se serve da farmácia, é ele que prepara as seringas, é ele que administra os medicamentos, mas no hospital pode ser diferente.
Vamos assumir que é um enfermeiro a preparar as seringas. O fulano agarra num frasquinho com um rótulo e verifica o que está a colocar na seringa. A seringa é entregue ao médico que administra o medicamento.
Seja quem for, alguém prepara a injecção e vê o que está a colocar lá dentro.
Como é que é possível que venham dizer que ninguém teve a culpa? Num hospital a isto chama-se negligencia e pessoas podem morrer!
Depois vem um fulano a falar sobre a Gripe A.
Hoje surgiram 44 novos casos de gripe e segundo eles é um sucesso dos serviços sociais comparativamente com os nossos vizinhos na Europa!
Vamos fazer uma pequena análise do tal sucesso.
Para quem mora aqui por Lisboa, uma coisa que se tem notado é que ao contrário do que acontece nos outros anos, este ano o trânsito intenso continua. Há duas hipóteses, ou não foram de ferias, ou foram e por compensação há muito mais turistas por aqui!
Dos poucos que foram de férias, muitos as empresas fizeram questão de avisar os seus ilustres funcionários que ir para países esquisitos não dá… dos que sobram, as nossas tradições não é muito para os países mais “infectados”.
Comparando com Espanha, é um país que vai bastante em passeio para os países sul-americanos e de lá para cá! Inglaterra, por seu turno tem temperaturas mais baixas que no sul da Europa e mesmo sendo verão, são mais favoráveis às gripes!
Os países mais afectados da Europa são a Inglaterra e a Alemanha, mas se vamos comparar, então comparemos com França, que tendo mais de 6x a população de Portugal, tem apenas o dobro dos casos confirmados e mesmo Espanha aqui ao lado, com 4x mais população que nós, tem apenas 3x mais casos de Gripe A.
Feitas as contas, se calhar não estamos a fazer nada de especial. Sendo Verão, sendo que não há quase ninguém a viajar para os países sul-americanos, os números deveriam sem bem mais baixos. Link

Etiquetas: cegos, enfermeiros, farmaceuticos, gripe A, h1n1, hospital, medicos, portugal

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22 de Julho de 2009

“Senhora Juíza, estou inocente!”


A senhora juíza condena-me por um crime que eu não fiz mas não se preocupa minimamente com isso. Se eu fosse um homem rico, político ou influente, se o meu advogado não fosse um estagiário, se fosse o João Nabais, hoje, fosse ou não culpado, aqui deste tribunal sairia em liberdade. Sairia em liberdade mesmo que no fim, como já outros juízes o disseram “vai em liberdade sabendo que é culpado mas as provas não ajudam á condenação”. Se eu fosse um homem rico, político ou influente, todas as provas aqui apresentadas pela acusação seriam anuladas ou desacreditadas. Aquelas imagens e escutas telefónicas não seriam validas, houve alguma vírgula em algum processo que torna as imagens e escutas uma prova mal recolhida. Nem que seja a rubrica do juiz que não estava igual ao bilhete de identidade. Aquela testemunha que viu tudo e descreve com detalhe, ainda que passados 3 anos, afinal conseguiríamos contra-argumentar que dizia aquilo só para aparecer na televisão, estava a tomar anti-depressivos, consumia drogas á data do delito. A vítima, mesmo o testemunho dela, seria completamente desacreditado, fosse eu rico, político ou influente.
Mas não sou, pouco mais tenho que o suficiente para comer, de política pouco percebo e influencia nem na minha casa tenho muita. Sou apenas inocente e vítima de um sem número de coincidências que naquele dia me colocaram no sítio errado na hora errada.
Senhora Juíza, a justiça é cega, é bem verdade, mas é guiada por um bom cão-guia. Sabe bem quem pode ou não condenar, com quem não se deve meter, quando se deve calar.


Etiquetas: advogados, juizes, justiça, politicos, tribunal

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20 de Julho de 2009

As férias!

Entrámos nas férias!
Amanhã é o meu último dia de trabalho e por todo o lado só cheira a férias. Cheira a férias dos que já estão e surgem com aquele bronze e um aroma a baunilha e coco, os que já regressaram e resmungam entre-dentes que ainda por lá deviam andar, cheira a férias dos que ainda não foram e fervem a pensar nos que já foram e os deixaram empilhados em trabalho não tendo em consideração o quão cansados eles já estão.
Cheira a ferias de manhã, o sol brilha e a temperatura permite uma t-shirt ainda antes do sol nascer, cheira a ferias na IC-19… bom estranhamente este ano por aqui não cheira a ferias. O trânsito contínua, nem que seja pelas constantes obras que parece-me a mim, deviam ter sido todas feitas nos longos meses que por lá andaram a alargar as faixas.
Hoje passei à porta do IADE, e já nem as portas estavam abertas. A faculdade onde consta que as meninas trocam os prazeres do corpo por umas notas engraçadas…
Por falar em notas! Acabou o ano e não fiquei com uma média tão má quanto isso. Não estou feliz, mas não fico desagradado! Ainda assim é injusto.
A turma não é grande, talvez uns 60 que depois nas aulas resulta nuns 40 e nas aulas práticas uns 20 em cada grupo. A crise chegou às faculdades!
Ora neste universo de cerca de 60 pessoas existem filhos de muitas mães.
Para quem ainda não foi para a faculdade e pensa ir, a faculdade é muito mais fácil e muito mais trabalhosa que o secundário. A matéria é dada em bruto, do estilo, abrirem-te uma tanta na cabeça e encherem-te a cabeça com informação á pazada!
Por outro lado, tens cerca de 20 aulas por cadeira cerca de 80 horas, o que não é tanto quanto isso (depende da cadeira e do professor). Onde é que está o senão? Nos trabalhos.
Em cada semestre tens 5 cadeiras, em cada cadeira um trabalho de semestre. Há cadeiras com mais que um trabalho! Qual é o problema?
Tu quando chegas às aulas ainda não conheces a matéria. Até realmente aquilo começar passam duas semanas. Sobram 18! Na segunda semana é provável que já saibas o tema do trabalho e das datas a apresentar. Na última semana é a frequência, com sorte apresentas na semana antes… ficam 16 semanas! Assim ficas com um problema do caraças… frequências e apresentação de trabalhos na mesma semana! PANICO! 15 semanas!
Podias começar a fazer logo o trabalho, mas na realidade não tens nem vontade nem conhecimentos para começar. Esperas 5 semanas e já começas a perceber a coisa!
Faltam 10 semanas. Sendo que tens 5 trabalhos de semestre, ficas com 2 semanas para fazer cada trabalho. Parece-te muito? Não é! Há sempre cadeiras com duas frequências, há sempre trabalhos a apresentar pelo meio e se tens aulas como eu à noite, o teu tempo é o fim-de-semana. Em 10 fins-de-semana tens de fazer 5 trabalhos de semestre. Eles contam uns 40% da avaliação final. Esmera-te!
A tua vida pessoal deixa de existir, o teu cérebro funciona em função da faculdade, a tua casa arruma-se em função da faculdade. Aqui tenho um segundo problema. O puto nasce em Dezembro e depois tenho uma casa em função do puto e da faculdade! Lindo!!!
Mas vou voltar lá acima às meninas que trocam o corpo pelas notas. Tanto quanto sei, isso não acontece pelo menos na minha turma. Mas nem é preciso.
Este ano no 1º semestre um professor houve que foi rigoroso em tudo. Noutra cadeira as notas foram… oferecidas! Neste 2º semestre estive mais atento e reparei que há colegas que não fazem frequências, fazem cópias dos apontamentos. Assim fica fácil, basta ser organizado e fazer uns bons apontamentos (legíveis a certa distancia (30 a 40 centímetros)).
Para começar são pessoas sem ética. Um estudante sem ética é um profissional sem ética. A excepção confirma a regra e não o contrario. Compreende-se que um aluno numa cadeira não tenha mais soluções senão uma cabula, não se compreende em todas as cadeiras. Ou é burro que nem uma pedra e caiu numa universidade de pára-quedas ou não tem ética. É um misto dos dois. Um trabalho de semestre implica pesquisa. Não sendo um trabalho para a monografia, não tem de ser empírico, mas tem de ser com base noutros estudos. Ser com base noutros estudos não implica plágio. Ok, encontraste um trabalho muito bom e vais usa-lo como base para o teu. Ao menos altera a construção das frases. Em brasileiro não te safas! Assim és mesmo burro!
Mas o problema nem é esse. Vamos assumir que acabamos todos o curso. Eu estudei que nem um mouro e acabo com uma média de 16. Essa personagem tem a mesma média, mas não estudou nada. Basicamente tem uma vaga ideia do tema!
Vamos os dois a uma entrevista de trabalho e com um CV semelhante eu lixo-me porque essa pessoa tem uma melhor aparência. Atrás de mim estava outra personagem com melhor aparência, mas com um 15 de média. Um 15 estudado, a pulso. Mesmo com a aparência e os conhecimentos perde para um cábula.
E em ultima analise perde a profissão. Que espécie de profissional é este que não sabe quase nada do que terá, em teoria, estudado?
A teoria diz “ os bons irão evidenciar-se, os maus serão relegados para a miséria.” Será?
A verdade é que este é um país de desenrasca e tiras um curso mas vais exercer outro.
Tu tiras um curso de Historia, vais para a frente de uma empresa de informática, tiras um curso de Direito e vais para a frente da contabilidade de uma empresa, tiras engenharia e vais tratar de recursos humanos, gestão de stocks, folhas de ordenados… em qualquer curso podes ir para a política!
O certo é que estas pessoas, e senão estas, outras iguais irão exercer. Nem que seja um ano, mas vão. Vão e mal! Numa ciência humana os erros podem pagar-se caros. É como um medico, pode passar a vida a passar um medicamento para a gripe, não faz bem, mas não faz mal e um dia apanha um gajo com uma alergia e morre, ou nem sequer era gripe e o medicamento até agrava!
“Vê tu bem, passo uma receita sem fazer umas analises…”
Pois foi, fê-lo, e fê-lo vezes sem conta. Umas vezes acertou no diagnóstico, noutras nem por isso, mas o corpo tende a tratar de si próprio, outras vezes a pessoa foi a um especialista e curou-se doutra coisa qualquer. Naquele dia matou um homem. Matou-o e com ele matou a infância dos dois filhos desse homem. Matou os sonhos da mulher do homem, matou o amigo, o filho, o primo… porque um dia foi cábula, e na altura não teve ética e hoje voltou a não ter.

Ai médico não serve?
Tudo bem, engenheiro mecânico. Serve?
O fulano entrou numa empresa, e basicamente os trabalhos era executar peças pré-feitas e desenhadas no autocad. Um dia um cliente pede uma peça específica para uma máquina específica com determinadas designações. O chefe assume que ele sabe o que faz, afinal é engenheiro. O fulano não dá parte fraca e agarra-se ao trabalho com ar de quem sabe o que para ali faz. A peça tem as medidas certas e é entregue ao cliente. O cliente mete-a na máquina e põe-na a uso. Uma semana depois morrem 5 trabalhadores dessa empresa. Vem-se a descobrir que uma peça defeituosa não resistiu ao esforço e provocou um grave acidente que vitimou 5 pessoas.
5 homens com filhos, pais, mulheres, amigos, colegas que todos morrem um pouco ou muito porque um palhacinho qualquer na faculdade preferiu as cabulas a estudar.
Acidentes acontecem, claro! Enganos também! Mas uma coisa é um dia teres um acidente ou fazeres uma má interpretação dos dados, outra é simplesmente não saberes o que fazer com esses mesmos dados. E se o primeiro aprende com o erro e vai estar muito mais atento para não se repetir, o segundo irá repeti-lo logo que situação igual surja porque simplesmente não compreende!
E hoje pára que já me estou a esticar!

Etiquetas: cabulas, faculdade, ferias, Politica

publicada por Essling às 7:43 PM 2 Comentários Hiperligações para esta mensagem

17 de Julho de 2009

Petição sobre responsabilização dos pais


Vai a parlamento um debate a propósito de uma petição onde se pede a responsabilização da educação aos pais.


O mundo mudou com o inicio do Sec. XX. Até ao princípio do século passado, o homem trabalhava e a mulher cuidava da casa. Mesmo que ela tivesse algum tipo de trabalho, a prioridade era sempre cuidar da casa!
Com a I Guerra Mundial, os homens foram para a guerra e as mulheres ficaram a substituir os homens nos seus postos de trabalho. Dai para a frente a mulher emancipou-se e com mais ou menos justiça, as mulheres estão onde os homens estão.
A minha geração, os nascidos nos anos 60/70, ainda foram educados nos moldes antigos, ou seja, nascem e crescem ou em casa com a mãe, ou em casa dos avós. Depois vinha a escola, mas no regresso, estava alguém em casa. Isto quer dizer que os pais e/ou avós, estavam presentes para educar. De modo continuado era incutido o bem, o mal, o socialmente aceitável. A adolescência, mesmo sendo um período de rebeldia, era passada com brincadeiras se bem que às vezes inconscientes, mas limitadas na gravidade.
A acompanhar a sociedade, evoluiu o custo de vida. Se antes os homens a trabalhar conseguia sustentar a família, hoje são precisos os dois a trabalhar e a vida é mesmo assim levada a custo. Se podes pagar mais, pagas mesmo! Ora se as coisas seguissem um percurso normal, se o homem consegue sustentar uma casa, então dois ordenados davam para uma vida bastante confortável. A emancipação das mulheres não resolveu, agravou.
Atenção, não estou de todo contra a emancipação das mulheres, estou a fazer apenas uma análise geral da sociedade.
Hoje em dia, eu com um filho, tenho de trabalhar eu e a mulher. Pago uma casa, que quer seja comprada ou alugada, custa cerca de 80% de um dos ordenados. Vamos assumir dois ordenados de 750€. Aqui, cerca de 450€ pagam a renda da casa. Ora depois disto gastas 35€ de luz, 20€ de água, 30€ de gás, 70€ de telecomunicações (TV, telefone, internet, telemóvel…), e já gastámos cerca de 600€. Ainda nem comprámos o comer e já se gastou quase todo o ordenado de um dos pais.
Continuemos então no dia-a-dia de uma família.
O comer. Fazes as compras do mês, gastas cerca de 130€ numa grande superfície. A isto ainda acresce uns 80€ em carne e peixe.
Já acabou o ordenado de um, já estamos a gastar o do outro.
Os sogros e pais hoje em dia trabalham ate á idade da reforma. O miúdo não pode ir contigo para o emprego. Tens de o deixar num colégio. Consegues um perto de casa por 300€.
Nesta altura gastámos… ora… 1085€. Sobram na melhor das hipóteses 415€
Calma, não é bem assim! Tu e a mulher precisam de ir para o emprego e ou vão de carro ou vão de transportes. Vamos assumir, por baixo os dois passes por 100€. Trabalhas num escritório, almoças uma sopa, uma sandes e um sumo. Não te livras de gastar ali 5€ por dia. Para os dois membros do casal são mais 200€. Faltam 115€
O miúdo não para de crescer, precisa de roupa, o miúdo tem de ir ao pediatra, o miúdo, o miúdo, o miúdo…
Afinal não sobra, ainda falta!
Os pais passam 10 ou 11 horas fora de casa, chegam a casa exaustos, e durante a semana não passaram nenhum tempo útil com os filhos. Á noite, chegam a casa, jantam e adormecem no sofá!
O miúdo passou o dia no colégio com outros 50 miúdos para duas ou três educadoras. As educadoras passam o tempo a evitar asneiras dos miúdos, a assoa-los, a fazer tudo menos educa-los!
Chegam a adolescentes, ao período da rebeldia, sem grandes bases. A vida não lhes custou, os pais esforçam-se por lhes dar tudo o que é possível, muitas vezes por compensação pelo tempo que não estão com eles. Chegando aqui, vale tudo. E na escola, com os outros, é muito mais fácil aprender o mal do que o bem!
De quem é a culpa? De todos! A vida exige que os pais estejam ausentes, os colégios funcionam para dar lucro e não há funcionarias suficientes para dar verdadeira atenção aos miúdos, os professores estão incumbidos do ensino e demitem-se da função educacional, e depois, no liceu (agora tem outro nome, mas de momento não me recordo) cada professor tem 4 ou 5 turmas, e te o mesmo aluno talvez 3 horas por semana. Nem com muito boa vontade iria ter tempo para dedicar atenção a um adolescente mal formado!
Isto já é mau nas classes média e média-alta, então nas classes baixas é o descalabro!
Ai é um pouco cada um por si!
Antigamente, quantos mais filhos, melhor, mais braços para trabalhar no campo. Hoje em dia o campo não faz parte da realidade da larga maioria da população. A ideia de ter filhos é deles nos perpetuarem e com o máximo de sucesso possível. Hoje em dia o máximo de sucesso possível é ter sucesso nos estudos e ter um emprego onde venha a ganhar o melhor possível.
Vou usar os emigrantes como exemplo para poder equiparar. Conheço alguns casos, e alguns porque não conheço todos os emigrantes, em que foram indivíduos que vieram para trabalhar, e ainda hoje trabalham em empregos precários, eles nas obras e elas em limpezas, e os filhos, sendo muitos ou poucos, todos tiraram cursos superiores. Alguns dos filhos trabalham cá, outros foram para outros países da Europa, outros voltaram às terras de origem e exercem por lá.
Na mesma situação, há pais que não procuraram evoluir, ficaram encostados, vivem em barracas ou bairros sociais, e os filhos, uns morrem, outros estão presos, outros consomem drogas ou são marginais à beira do abismo.
Nem todos temos de ter cursos superiores, mas todos temos de ser membros participativos em benefício da sociedade. Isso começa na educação em casa!
Sendo que não se pode responsabilizar os pais pela totalidade dos actos dos filhos, é importante que todas as escolas tenham equipas multi-disciplinares para intervir.
Os jovens de hoje são os homens de amanhã e estamos a descurar no futuro do país!
Um exemplo básico é o ir às compras.
Compras 1kg de maçãs. Se compras espanhola, não compras portuguesa. Em Espanha alguém fica mais rico, o agricultor português não vende. A família dele fica mais pobre, perde ele, ficam as terras abandonadas, a região fica mais pobre. Ele não vai ao café, ele não compra um novo carro, ele não consome, ele não faz girar o dinheiro. O dono do café perde um cliente, o dono do stand perde um cliente, o supermercado perde um cliente. E estes ficam mais pobres e consomem menos!
Imaginando que eu tenho uma loja de … brinquedos. Estes indivíduos todos, nenhum deles vem comprar brinquedos á minha loja porque nenhum deles pode! Porque? Porque eu preferi comprar maças espanholas que eram 0,05€ mais baratas que as portuguesas!
E atenção, comprar nacional não é o mesmo que dizer que o Estado ande a dar subsídios.
Em ultima analise, a sociedade mudou, em alguns aspectos para melhor, na maioria para pior.
Dois séculos de nihilismo…
Vamos então começar a dar a volta ao texto. Já sabemos o que está mal, é altura de começar a por em pratica projectos a bem da sociedade. O bem colectivo é o meu bem individual!

Etiquetas: educação, opinião, pais, petição, responsabilidade, sociedade

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