Muito se tem falado da saúde nacional.
Tenho uma filha pequena e nestas alturas uma ou outra ida ao
hospital é inevitável. Não tenho grandes razões de queixa sobre o serviço de urgências
do hospital da Amadora, apenas numa situação perdi lá varias horas e
curiosamente, num dia que a sala de espera estava literalmente vazia. Tinha
umas quatro pessoas em espera…
Mas do serviço de pediatria não tenho reclamações e é por
norma bastante rápido, talvez porque a minha filha só se lembra de adoecer a
meio da madrugada…
Desta última vez estive lá umas horas porque a minha filha
ficou a fazer aerossóis e tive tempo para reparar no que estava em meu redor.
A primeira coisa que reparei foi que a sala de espera de urgências
para a adultos estava bastante vazia para o que é habitual.
Isto levanta-me alguns receios que pessoas doentes não têm
capacidade para pagar taxas moderadoras, e se calhar o receio é totalmente
verdade uma vez que surgiu a notícia que a taxa de mortalidade na terceira
idade disparou nos últimos meses.
Resumidamente, o serviço nacional de saúde deixou de servir
quem precisa.
Outra situação terrível foi uma senhora de origens africanas
que passou a noite a dormir na sala de espera da pediatria.
Ela não me pareceu que estivesse ali porque é mais sossegado
enquanto tinha um familiar no hospital. Ela pareceu-me uma “cliente” habitual.
Pousou os seus sacos, enquanto as cadeiras estavam ocupadas, dormiu sentada,
quando a sala ficou vazia, deitou-se.
O país não está preparado para lidar com quem precisa, e
pior que isso, está a criar cada vez mais pessoas que precisam.
Ainda na saúde, e francamente grave!
No mês passado, num dia qualquer da semana, ao jantar, a
minha mulher comentava comigo que uma colega tinha recebido uma carta do
hospital de Cascais para que ela pagasse taxas moderadoras referentes a 2009,
pelos exames complementares do nascimento da filha dela.
A minha mulher completa dizendo que em breve seriamos nós a
pagar!
Respondi-lhe de pronto que isso não podia ser, uma vez que estávamos
isentos de taxas moderadoras.
Certo é que uma semana depois surgiu a tal carta do Hospital
de cascais, na frente a indicar os exames complementares e respectivos valores,
também do nascimento da minha filha, igualmente de 2009, atrás a legislação de
2011/2012 a intimar ao pagamento no prazo de 10 dias, e que no incumprimento o
valor subiria 5 vezes num valor nunca inferior a 100 euros.
Um dos itens era um exame igualmente de 2009, anterior ao
nascimento da minha filha, mas que tinha sido pago por vale postal.






