10 de Dezembro de 2011

Revolução - Fim da Democracia


Cá venho eu novamente dizer coisas que ou são profecias ou são de velho do restelo…
A verdade é que enquanto andamos aqui entretidos a ver a casa dos segredos, se há ou não sexo, a democracia vai morrendo devagarinho, de modo quase imperceptível. Neste momento vivemos uma crise profunda, e passo a transcrever a etimologia da palavra Crise, muito ao jeito do Prof. Dimas de Almeida:

Krisis = segundo os gregos essa palavra tem como significado o estado das situações e acções quando em mudanças, sendo essas para melhores ou piores, ou seja estar em crise é quando as coisas estão mudando de forma que não mudaram ainda mas também não estão como antes e com o passar da crise se saberá se mudou para melhor ou mudou para pior, crise no latim (Crisis) também pode significar ruptura, término, separação”.


Na realidade a crise é uma constante, umas vezes bate na porta do vizinho, algumas vezes bate na nossa porta. Facilmente nos esquecemos dos tempos bons, facilmente julgamos esta crise como sendo a pior de todas da nossa vida.
O problema das crises é que são o fim de algo e o início de outra coisa. Normalmente termina um governo e começa outro que ciclicamente se alterna de modo a ir agradando a uns e a outros mantendo o povo sereno. De tempos a tempos esses ciclos deixam de ser suficientes e a crise toma um tamanho de tal ordem que atinge todo o povo.

No Portugal contemporâneo assistimos a várias crises. Duas das mais recentes têm como protagonista António Oliveira Salazar, esse nosso velho conhecido. Entra para o ministério das finanças após ter sido negado ao país um avultado empréstimo que traria algum folego às finanças do país. Facto é que no ano seguinte o próprio tinha conseguido o milagre do saneamento das finanças públicas e foi aclamado por todos. Abriram-se assim as portas para a ditadura, longos anos de ditadura. O mesmo ditador que nos “salvou” foi o mesmo que nos afundou até à revolução do 25 de Abril. Entretanto esta é a terceira vez que temos cá o FMI. O problema nem é tanto a visita a Portugal do FMI, é a conjuntura internacional.

Sócrates, o pseudo-engenheiro e ex-primeiro-ministro, lá foi avisando que a crise que se estava a instalar não era um problema nacional, era uma crise mundial. Em casa país os motivos são diversos, no entanto, o resultado tem sido o mesmo, uma crise social, política e económica profunda que coloca em causa não só o modelo económico como a democracia em si.

No mesmo período que António Oliveira Salazar se senta na cadeira do poder, até que é a própria cadeira a faze-lo tombar, estava em plena actividade outro senhor que fez historia, Adolf Hitler.



Por essa altura a Alemanha vivia uma crise económica e social profunda. As multas impostas pela europa à Alemanha eram pesadas, os alemães não encararam a derrota e o fim da glória, e foi relativamente fácil seguir a palavra de um novo líder que prometia levá-los à glória. Em comum Salazar e Hitler têm uma linha política virada para a direita, em comum partilham uma juventude em que os princípios em que assentavam as suas educações foram modificados abruptamente, em comum, deixaram a sua marca na história, um, uma grande marca em pouco tempo, outro, uma grande marca, mais diluída no tempo.

Certo é que com o fim da II Guerra Mundial, surgiu a carta dos Direitos do Homem e o Estado Social. Estas ideias são validas e interessantes num mundo honesto em que quem precisa efectivamente de ajuda, recorre a ela enquanto os outros colaboram consigo e com os necessitados.

O individuo hoje desconta para a segurança social para pagar as reformas dos mais idosos, considerando que no seu tempo, outros trabalharão e descontarão para garantir a sua reforma. O argumento que hoje em dia os reformados são em numero superior aos que trabalham nem sequer é particularmente valida uma vez que os reformados ganham relativamente aos seus vencimentos à data da reforma e hoje em dia a larga maioria desconta, sendo que no passado, muitos não descontavam contando hoje em dia com reformas de 200 Euros ou pouco mais que isso. Falo de Portugal, obviamente!





(parecem pai e filho)

O problema é que o dinheiro foge para outros fins. A malta assume direitos mas ignora e foge aos deveres, sendo que ficamos com uma fatia da sociedade que vive à custa de outros. A sociedade criou e deixou viver os parasitas e hoje sustentamo-los, e mantemo-los com receio que agora, se lhe tirarmos o rendimento, se insurjam e causem danos maiores. É como pagar a um ladrão para não ser assaltado uma vez que isso pode trazer consigo violência.

Com estes, depois temos os malandros graúdos. As leis estão feitas ao jeito do grande malandro e é desse modo que, felizmente agora se vai descobrindo alguma malandragem, se vai mantendo negócios pouco claros e em prejuízo para o contribuinte. Porque é que toda e qualquer obra publica ultrapassa os prazos estipulados inicialmente e ultrapassa em larga escala o orçamento dessa mesma obra? Derrapagem é a palavra de ordem.

Em Portugal enquanto chegaram fundos comunitários aos cofres do Estado, foi dando para tapar uns buracos criando outros, pedindo financiamentos negociados e renegociados. Os fundos acabaram e já não se consegue tapar buracos.

Cada vez mais se percebe que mudam-se as moscas e a merda é a mesma. A democracia representativa não funciona. Os governos tombam por todo o lado e os que ainda se vão mantendo, sobrevivem numa fragilidade doentia, sempre a renegociar para manter o povo minimamente sereno.

Não é o fim do Euro, ou o fim do Euro apenas para alguns países que irá alterar o panorama mundial. Alias, só tornaria a crise ainda mais grave. Neste momento, e estou apenas a referir a Grécia como exemplo, se sai do Euro e volta à sua moeda, a crise do país será ainda mais grave e ou não irão pagar a sua divida ou se a pagarem será ao longo de largos anos. É o mesmo que dizer que países que emprestaram o dinheiro ficarão sem ele durante muito tempo. Entre eles, por exemplo Portugal, que ainda que tenha recebido ajuda da troika, antes, emprestou dinheiro à Grécia.

O problema, está na máquina como um todo. O esquema económico funcionou melhor que o comunismo, mas a verdade é que é igualmente mau. O sistema de democracia representativa, pelo menos nos moldes em que a conhecemos, por partidos políticos e com profissionais da política, também não funciona.

A sensação que este momento dá é o equivalente a quando se tem aquelas convulsões antes de vomitar. Muita gente, e gente importante e influente, começa a falar em revolução, e ela surgirá e quanto mais depressa, melhor.


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