6 de Agosto de 2011

O fim do Euro e da Democracia

Segundo Desmond Lachman é inevitável Portugal sair do Euro. Segundo o senhor, ex-director adjunto dessa tão prestigiada (not) instituição, Portugal é o país em piores condições uma vez que temos uma divida externa de 230% e um défice de 10%.
Este senhor poderá até estar certo no resultado final, mas a acontecer não é garantidamente pelos motivos que alega.
Esta semana vi por ai uma notícia de um dos novos ministros a falar que iriam ser feitos investimentos para aumentar as exportações. Este é de facto um dos caminhos para melhorar a nossa economia, mas não com exportações low cost. Essas já existem dos países do leste e asiáticos, sobretudo, claro, da China. Temos é de apostar nas exportações em produtos de alta qualidade. Já aqui tinha referido isto, e reforço. Temos por exemplo os mármores, a cortiça, o azeite, o papel, o cimento e podemos desenvolver marcar, apostar de facto nas marcas no que toca ao têxtil ao calçado e vinhos. Outra coisa é apostar nos laboratórios universitários para criar produtos novos, para nos colocar na vanguarda. Outro caminho é óbvio, aumentar o consumo nacional de produtos nacionais. Neste ultimo ponto até seria favorável sair do Euro.

Ainda no que se refere a Portugal, repare-se que o Estado é uma empresa que gere um espaço, e a gestão é de tal ordem má que nunca tem as contas em dia nem ninguém sabe exactamente o que se passa. Se forem reformadas as instituições com o volume necessário e não o necessário para colocar os amigos e afilhados, se a gestão danosa começar a ser penalizada, se os contratos começarem a ser cumpridos ao invés das extensões de tempo e de valores fora do orçamento, o país entra nos carris e torna-se num sucesso. Cá há massa crítica para fazer isto andar!
Falar no fim do Euro, ser ia o mesmo que falar no fim do dólar se por exemplo o estado da Califórnia e Nova York entrar em default e arrastarem o dólar de modo negativo.

A diferença é que nos EUA não se considera outro estado como sendo outro país logo, quando é necessário, a nível federal são injectados fundos onde é necessário tal como cá na europa ao nível de cada país são encaminhados fundos para as autarquias. Ou seja, a diferença é que não se considera a Europa como um todo, mas quer-se que funcione como um todo. Deste modo, cada um puxará a brasa para a sua sardinha e o Euro continuará a viver em cima de uma corda bamba.

O problema em bom rigor não é Portugal, a Grécia ou o Euro. O problema reside no fim da democracia tal como existe. Aos defensores da democracia, o ideal é olhar para a história do Homem. Em toda a nossa história existiram ciclos. Tudo é bom enquanto funciona, depois, é hora de mudar. No espaço de 100 anos passámos por diversos regimes políticos desde a monarquia, comunismo, democracia, ditaduras… ainda temos representantes de todos estes estilos de governo, mas a maioria foi caindo tal como está a cair agora a democracia. O problema é que não há ainda vozes com uma solução, o que leva a malta a sentir-se como num beco sem saída e a esforçar-se para sobreviver. É fácil sair de um sítio quando há outra solução que parece bem melhor, mas quando não há nada, quando não há um next level, tudo se complica.
A democracia terá de deixar de ser representativa, passando a ser real. O sistema económico tem de passar a ser real e não por valores criados em bases de dados. Se um banco tem 1000 euros reais, então tem um limite de financiamento de 1000 euros. Naturalmente isto implica uma grande subida das taxas de juro mas o mercado torna-se real. É impossível que para o individuo o dinheiro tenha de ser real, para instituições bancarias seja fictício.

Em suma, para Portugal, nas condições em que o Euro foi criado e sustentado, sair é uma sorte!

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