E como eu ia dizendo, a censura começa a aparecer de fininho. Para começar, em Espanha os serviços municipais impedem o acesso a páginas dos “indignados”. A censura começa a aparecer de várias formas e com varias justificações recorrendo-se sempre de leis e normas de segurança. É o princípio…
Não concordo de todo com o vandalismo em Inglaterra. É vandalismo sem justificação. Aliás, a justificação é mesmo a natureza dos indivíduos. Sempre foi um povo de bárbaros e não vão deixar de o ser ainda que passem a maior parte do tempo “domesticados”. Se fosse pelas condições sociais, outros países, como o nosso, já teriam feito o mesmo há mais tempo. Já na Grécia, os tumultos acontecem mais em consequência de manifestações. É mais uma consequência que um fim em si mesmo.
Outra notícia interessante é os pais actuais a condenar os professores pelo insucesso escolar dos filhos.
Obviamente que nos últimos anos a educação vive em função de estatísticas e o ensino obrigatório tem sido francamente facilitado em nome das médias a apresentar na EU. Também sei que com a entrada das faculdades privadas a qualidade desceu no que se refere a licenciados.
No entanto, há alunos que nas mesmas condições, conseguem. E não só conseguem, como se destacam. Ainda recentemente um aluno ganhou as olimpíadas da matemática. Aqui há tempos vi a apresentação de trabalhos de investigação significativos por parte de um sujeito que foi aluno da Universidade Aberta. Claro que estes dois casos, são casos escolhidos a dedo, mas o facto é que muitos conseguem notas positivas e não são com certeza aves raras. Apenas estudam e fazem o que lhes compete.
Na minha infância os meus pais disseram-me que a escola era o meu trabalho, e como tal, tenho de trabalhar para atingir os meus objectivos.
O que estes pais se esquecem é disto, de que este é o trabalho dos filhos e isso requer o mínimo de empenho. Cada caso é único, obviamente. Eu nunca fui de estudar em casa, tenho um claro défice atencional em casa. Preciso de ter atenção nas aulas e para estudar, tenho de sair de casa. Outros precisam de estudar muito, e isolados no quarto… mas seja como for, cada um deve saber o que funciona melhor para si e trabalhar.
Ora os pais julgam que essas rotinas aparecem por geração espontânea, e na realidade os fedelhos passam o tempo a ver televisão ou a jogar consola ou no facebook e meter posts do mais recente piercing ou de como me fica tão bem esta nova tinta no cabelo. Estudar, fica para amanhã… Óbvio que no momento das avaliações os resultados são negativos, mas o professor é na larga maioria dos casos o ultimo culpado.
Ainda voltando ao tema dos mais novos, uma notícia de fotos na Vogue.
Ora um fotógrafo agarrou numa jovem modelo, de 10 anos, e fotografou-a em poses “sensuais”. Ora bem, a sensualidade está na cabeça de cada um. Quando vamos a um casamento, vemos sempre os filhos de alguém com umas roupinhas catitas, muito mais adequadas a um adulto que a uma criança, e logo dizemos “parece uma mulherzinha em ponto pequeno…” e de facto assim é. No entanto, independentemente das suas “poses” não atribuímos sensualidade. No máximo fazemos um comentário de brincadeira “vais dar cabo da cabeça dos teus pais quando fores mais velha… vais, vais… “.
Ainda que o intuito do fotógrafo fosse produzir fotos sensuais, na pior das hipóteses teríamos de lidar com um sujeito que consegue ver sensualidade numa criança de 10 anos. Porque a sexualidade e a sensualidade não é algo que nos é incutido. Mesmo que eu lide com pessoas com sexualidades diferentes, não é por isso que passo a achar mais interessante esses gostos. Podem-me descarregar em cima mil filmes e fotos de pedofilia, e não é por isso que me torno pedófilo, considero-as sim, com repúdio.
Ora, neste sentido as fotos passam-me francamente ao lado, preocupa-me antes uma quantidade de gente que olham para elas com olhar de quem vê algo com carga erótica e luta consigo próprio reprendendo os outros pelo que eles julgam ser os seus próprios pontos de vista…



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